Doenças
cardiovasculares causam quase 30% das mortes no País
No Brasil,
homens são os mais afetados pelas doenças cardiovasculares, como infarto e AVCs
As doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,4% de todas
as mortes registradas no País em um ano. Isso significa que mais de 308 mil
pessoas faleceram principalmente de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Estudos do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (São Paulo) mostram que 60%
dessas vítimas são homens, com média de idade de 56 anos. A alta freqüência do
problema coloca o Brasil entre os 10 países com maior índice de mortes por
doenças cardiovasculares.
As doenças
cardiovasculares são aquelas que afetam o coração e as artérias, como os já
citados infarto e acidente vascular cerebral, e também arritmias cardíacas,
isquemias ou anginas. A principal característica das doenças cardiovasculares é
a presença da aterosclerose, acúmulo de placas de gorduras nas artérias ao
longo dos anos que impede a passagem do sangue.
Para funcionar, o corpo
humano precisa de oxigênio. O sangue sai do coração com oxigênio e atinge todos
os órgãos por meio das artérias; depois, volta ao coração para se reabastecer
de oxigênio. Quando as artérias fecham (aterosclerose), ocorre um infarto na
região que não recebeu o oxigênio. Basta não receber oxigênio, para região
entrar em colapso.
As causas da aterosclerose
podem ser de origem genética, mas o principal motivo para o acúmulo é
comportamental. Obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão, colesterol
alto e consumo excessivo de álcool são as principais razões para a ocorrência
de entupimentos das artérias. Esses comportamentos foram apontados pelo estudo
Afirmar (Fatores de Risco Associados com o Infarto do Miocárdio no Brasil), o
maior já realizado no País, realizado pelo Instituto Dante Pazzanese de
Cardiologia. Foram entrevistados 3.550 pacientes de 51 cidades brasileiras
entre 1997 e 2000.
Segundo o estudo, o homem
fumante tem cinco vezes mais chance de ter um infarto que o não-fumante. Os
riscos provocados pelo comportamento superam inclusive histórico familiar de
doença cardiovascular. Estudo recente do Hospital do Coração (HCor), de São
Paulo, apontou que também jovens entre 20 e 40 anos estão tendo mais problemas
cardiovasculares, como infartos. Segundo Ricardo Pavanello, supervisor de
cardiologia do HCor e autor do estudo, os casos nesta faixa etária já
representam, em média, 12% do total. Há dez anos, esse número não passava de
6%. As razões, segundo o médico, são estresse associado ao fumo e a outros
fatores de risco, como peso acima do ideal.
Para evitar sustos, a
melhor conduta é a prevenção. Consultas regulares ao médico são essenciais para
medir pressão arterial, controle de peso, orientação nutricional, além de
avaliação física. “Homens sem histórico familiar de doenças cardiovasculares
podem visitar o médico a cada cinco anos até completar 40 anos e uma vez por
ano a partir dessa idade”, orienta José Carlos Nicolau, diretor da Unidade
Coronariopatia Aguda do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor). Já para quem tem
histórico familiar, a frequência deve de ao menos uma consulta por ano.
A visita regular é
necessária inclusive para serem identificados os fatores de risco. Talvez o
paciente ainda esteja na fase pré-clínica do problema e seja possível evitar o
pior. Nesta fase 1 a pessoa demonstra poucos sintomas, explica o cardiologista
Dikran Arnaganijan, diretor da Promoção de Saúde Cardiovascular da Sociedade
Brasileira de Cardiologia. Na fase 2, a doença já se instalou, e os sintomas
começam a aparecer – dor no peito, falta de ar, palpitações, insuficiência
cardíacas, isquemias, dores de cabeça. Na fase 3, ocorrem as dores agudas,
sinal de complicações cardiovasculares severas.
Infelizmente, a prevenção
masculina começa apenas quando o homem está na fase 2, ou, até mesmo na 3. São
comuns relatos de pacientes que sentiram cansaço repentino, uma dor de cabeça
extremamente forte ou ainda uma falta de ar intensa e só no hospital, depois de
exames, descobriram que tinham alguma doença cardiovascular.
O comportamento preventivo
ajuda, porém não afasta as chances de o problema aparecer. Um em cada dois
homens pode ter alguma doença cardiovascular depois dos 60 anos. “Por isso que
manter uma dieta saudável, fazer exercícios físicos regulares e deixar de fumo
são importantes. Mas, às vezes, ainda é insuficiente e o médico precisa indicar
o uso de medicamentos para, por exemplo, manter o colesterol em bons níveis”,
diz Nicolau, do Incor
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